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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

História do Fuxico


A história do fuxico só pode ser compreendida se voltarmos um pouco ao tempo e visitarmos as curiosidades sobre a tecelagem e trabalhos manuais no Brasil.
Os indígenas brasileiros que cultivavam algodão, fiavam para a confecção de redes de dormir, mas ainda não produziam o tecido propriamente dito. As fibras vegetais eram trabalhadas em forma de trançado.
O algodão tornou-se uma das principais culturas no início da colonização e a atividade de tecelagem manual se desenvolveu para a formação de uma variada indústria doméstica de produção de fios e tecidos. Um dos fatores que ajudaram no desenvolvimento da tecelagem manual era o fato de que os nativos andavam nus e os padres jesuítas tinham uma preocupação em vestir aqueles que estavam sendo catequizados. Além disso, com o desinteresse de Portugal em colonizar o Brasil, os habitantes que aqui se fixaram não tinham muitos meios de adquirir produtos industrializados. Era necessário produzir para a própria subsistência como futuramente também serviu para vestir a mão de obra escrava trazida da África.
Basicamente em todas as propriedades havia um tear para a produção manual de tecidos de algodão, que eram utilizados na confecção de peças de vestuário, roupas de cama, mesa e banho entre outros. Os tecidos de algodão eram grossos, sem o refinamento dos tecidos nobres conhecidos na época e eram destinados às classes sociais mais pobres, além dos escravos e indígenas. Houve um crescimento estrondoso nas “indústrias caseiras”, fazendo com que o produto têxtil nacional tivesse uma melhora em sua qualidade. A abundância dos pigmentos naturais também proporcionou diversidade de cores.
Motivada pela crise mercantilista da época, a obrigatoriedade de Portugal em importar tecidos da Inglaterra, a necessidade de mão de obra nas lavouras e nas minas de ouro e, ainda, o crescimento da indústria têxtil brasileira, Dona Maria I, rainha de Portugal, proibiu em 1875 a atividade da tecelagem manual no Brasil. Nesta época, as indústrias caseiras fabricavam não só o tecido de algodão para vestimentas de indígenas, negros e caboclos, mas também podiam ser encontrados o fustão, chitas e alguns brocados.
A tecelagem manual passou a ser uma atividade proibida. Entretanto, com o avanço dos pioneiros para a região central do país, esta atividade persistiu em alguns lugares, sendo hoje o Centro-Oeste e o Triângulo Mineiro uma das poucas regiões do Brasil que ainda mantêm esta tradição.
Em 1808 a família real portuguesa vem para o Brasil, fugindo das tropas de Napoleão. O contato com a corte trouxe mudanças nos costumes locais e consequentemente no desenvolvimento de atividades manuais, como bordados e rendas, que davam glamour ao artesanato local.
O brasileiro nunca se moldou aos hábitos culturais e artísticos dos colonizadores. A miscigenação cultural deu origem a uma de suas maiores características: a criatividade.
As mulheres brasileiras se inspiravam nos trabalhos manuais trazidos da Europa, mas davam um toque “tropical”, com a utilização de matérias-primas locais, principalmente os fios de algodão e acrescentando cores… muitas cores.
O Brasil não tem muita tradição com trabalhos manuais em tecidos, mas a atividade com fios e linhas sempre existiu.
Com uma diversidade de matéria-prima para o desenvolvimento de um artesanato extremamente variado, com inspirações indígenas, portuguesas e africanas, o artesanato brasileiro ainda foi enriquecido com as culturas dos imigrantes europeus e asiáticos, consequentemente essa mistura está presente em qualquer manifestação artística e cultural do país.
O fuxico, de idade secular, tem a sua criação atribuída (cogitada) aos escravos africanos. Entretanto, eles se popularizaram dentro do universo do patchwork no início do século XX. Um pequeno círculo com as extremidades alinhavadas e franzidas inspiram a criação de pequenos enfeites e adereços, até a composição de peças maiores como colchas.
O fuxico é um artesanato que está presente em todas as regiões brasileiras. O termo “fuxico” em português é sinônimo de “fofoca” (cochicho) e, segundo o folclore local, ele recebeu este nome uma vez que as mulheres se reuniam para costurar e cochichar sobre a vida alheia.
O fuxico esteve associado à classe social de baixa renda e/ou comunidades rurais. De uma década para cá, com o surgimento da customização e a introdução de novas técnicas artesanais na moda e na decoração é que ele começou a ser mais valorizado.

fuxico é o nome dado a um tipo de artesanato feito com tecido, agulha, linha e muita, muita paciência.
Sua origem é incerta. Não se tem registro de onde e nem de quando esta idéia de reaproveitar retalhos de tecido começou. Sabe se apenas que hoje em dia ele é feito em várias partes do mundo.
Aqui no Brasil recebeu este nome porque era feito por grupos de mulheres que se reuniam nas horas vagas para confeccionar com as sobras de tecido, toalhas, tapetes, colchas e o que mais a imaginação criasse. Enquanto trabalhavam, também falavam, por isso o nome “fuxico” (fofoca). Mas não fofocavam, como se quer fazer acreditar, e sim discutiam sobre seus problemas do dia-a-dia além de incrementar a renda doméstica vendendo para amigas os trabalhos por elas produzidos. Além do uso na decoração, ele também passou a ser utilizado na confecção de roupas. Sinal de que, mesmo que a industria têxtil produza tecidos altamente tecnológicos, o artesanato não sai de moda.
fuxico é feito principalmente nas cidades pequenas pois, por ser totalmente artesanal, requer tempo e isto hoje em dia está cada vez mais escasso nas grandes cidades. É no interior do país que se mantém a tradição.
Mas, seja no interior, ou na cidade grande,uma coisa é certa, nenhum país produz tanto fuxico como o Brasil. Talvez pelo fato do brasileiro ser tão habilidoso para o artesanato, criativo para transformar a matéria ou ter sempre que dar um jeitinho para superar o desemprego.

3 comentários:

Anônimo disse...

I really appreciate this post. I?

Chá Mate com Pinhão disse...

Olá Nathália, que post interessante!!

Bem vinda ao Chá Mate com Pinhão!!

Bjos
Bia Costa

Chá Mate com Pinhão disse...

Olá Nathália, que post interessante!!

Bem vinda ao Chá Mate com Pinhão!!

Bjos
Bia Costa